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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Clara Francisca Gonçalves Pinheiro


Conhecida como Clara Nunes, (Nasceu em Paraopeba, Minas Gerais, 12 de agosto de 1943 — Rio de Janeiro, 2 de abril de 1983) foi uma cantora brasileira, considerada uma das maiores intérpretes do país. Pesquisadora da música popular brasileira, de seus ritmos e de seu folclore, Clara também viajou várias vezes para a África, representando o Brasil. Conhecedora das danças e das tradições afro-brasileiras, ela se converteu à Umbanda. Clara Nunes seria uma das cantoras que mais gravaria canções dos compositores da Portela, escola para a qual torcia. Também foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 100 mil cópias, derrubando um tabu segundo o qual mulheres não vendiam disco.

Caçula dos sete filhos do casal Manuel Ferreira de Araújo e Amélia Gonçalves Nunes, Clara Nunes nasceu no interior de Minas Gerais, no distrito de Cedro - à época pertencente ao município de Paraopeba e depois emancipado com o nome de Caetanópolis, onde viveu até aos 16 anos.

Marceneiro na fábrica de tecidos Cedro & Cachoeira, o pai de Clara era conhecido como Mané Serrador e também era violeiro e participante das festas de Folia de Reis. Mas Manuel morreu em 1944 e, pouco depois, Clara ficaria também órfã de mãe e acabaria sendo criada por sua irmã Dindinha (Maria Gonçalves) e o irmão José (conhecido como Zé Chilau). Naquela época, Clara participava de aulas de catecismo na matriz da Cruzada Eucarística. Lá também cantava ladainhas em latim no coro da igreja.




Segundo as suas próprias palavras, cresceu ouvindo Carmem Costa, Ângela Maria e, principalmente, Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira, das quais sempre teve muita influência, mantendo, no entanto, estilo próprio. Em 1952, ainda menina, Clara venceu seu primeiro concurso de canto organizado em sua cidade, interpretando "Recuerdos de Ypacaraí". Como prêmio, ganhou um vestido azul. Aos 14 anos, Clara ingressou como tecelã na fábrica Cedro & Cachoeira, a mesma para o qual seu pai trabalhou.

Teve que se mudar para Belo Horizonte, indo morar com a irmã Vicentina e o irmão Joaquim, por causa do assassinato de um namorado, cometido em 1957 por seu irmão Zé Chilau. Na capital mineira, Clara trabalhou como tecelã durante o dia e fez o curso normal à noite. Aos finais de semana, participava dos ensaios do Coral Renascença, na igreja do bairro onde morava. Naquela época, conheceu o violonista Jadir Ambrósio, conhecido por ter composto o hino do Cruzeiro). Admirado com a voz da jovem de 16 anos, Jadir levou Clara a vários programas de rádio, como "Degraus da Fama", no qual ela se apresentou com o nome de Clara Francisca.

Mudança de nome

No início da década de 1960, Clara conheceu também Aurino Araújo (irmão de Eduardo Araújo), que a levou para conhecer muitos artistas. Aurino também seria seu namorado durante dez anos. Por influência do produtor musical Cid Carvalho, mudou o nome para Clara Nunes, usando o sobrenome da mãe.


Em 1960, já com o nome de Clara Nunes e ainda como tecelã, ela venceu a etapa mineira do concurso "A Voz de Ouro ABC", com a música "Serenata do Adeus", composta por Vinicius de Moraes e gravada anteriormente por Elizeth Cardoso. Na final nacional do concurso realizada em São Paulo, Clara Nunes obteve o terceiro com a canção "Só Adeus" (de Jair Amorim e Evaldo Gouveia).

A partir daí, Clara Nunes começou a cantar na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte. Durante três anos seguidos foi considerada a melhor cantora de Minas Gerais. Ela também passou a se apresentar como crooner em clubes e boates na capital mineira e chegou a trabalhar com o então baixista Milton Nascimento - àquela altura conhecido como Bituca.

Naquela época, fez sua primeira apresentação na televisão, no programa de Hebe Camargo em Belo Horizonte. Em 1963, Clara Nunes ganhou um programa exclusivo na TV Itacolomi, chamado "Clara Nunes Apresenta" e exibido por um ano e meio. No programa se apresentavam artistas de reconhecimento nacional, entre os quais Altemar Dutra e Ângela Maria.



Viveu em Belo Horizonte até 1965, quando se mudou para a cidade do Rio de Janeiro, mas especificamente para Copacabana.

Os primeiros discos

Já no Rio de Janeiro, Clara Nunes se apresentava em vários programas de televisão, como José Messias, Chacrinha, Almoço com as Estrelas e Programa de Jair do Taumaturgo. Antes de aderir ao samba, Clara cantava especialmente boleros. Além de emissoras de rádios e televisão, ela também percorreu escolas de samba, clubes e casas noturnas nos subúrbios cariocas.

Ainda em 1965, ela passou por um teste como cantora na gravadora Odeon, onde registrou pela primeira vez a sua voz em um LP. O disco foi lançado pela Rádio Inconfidência (onde Clara trabalhou quando morava em Belo Horizonte) e contava com a participação de outros artistas, todos da Odeon.


No ano seguinte, Clara foi contratada por esta gravadora, a primeira e a única em toda a sua vida. Naquele mesmo ano, foi lançado o primeiro LP oficial da cantora, "A Voz Adorável de Clara Nunes". Por insistência da gravadora para que ela interpretasse músicas românticas, Clara apresentou neste álbum um repertório de boleros e sambas-canções, mas o LP foi um fracasso comercial. Em 1968, Clara Nunes gravou "Você Passa e Eu Acho Graça", seu segundo disco na carreira e o primeiro onde cantaria sambas. A faixa-título (de Ataulfo Alves e Carlos Imperial) foi seu primeiro grande sucesso radiofônico.

No ano seguinte, a Odeon lançou "A Beleza Que Canta", LP no qual a cantora interpretou "Casinha Pequena", uma canção de domínio público. Ainda em 1969, Clara Nunes ganhou o primeiro lugar no "I Festival da Canção Jovem de Três Rios" com a música "Pra Que Obedecer" (de Paulinho da Viola e Luís Sérgio Bilheri) e ainda classificou a canção "Encontro" (de Elton Medeiros e Luís Sérgio Bilheri) na terceira colocação. Ficou em oitavo lugar "IV Festival Internacional da Canção Popular" com a música "Ave Maria do Retirante" (de Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo), que foi lançada naquele mesmo ano em disco homônino.

Afirmação no samba


Em 1970, Clara Nunes se apresentou em Luanda, capital angolana, em convite de Ivon Curi. No ano seguinte, a cantora gravou seu quarto LP, no qual interpretou e "É Baiana" (de Fabrício da Silva, Baianinho, Ênio Santos Ribeiro e Miguel Pancrácio), música que obteve considerável sucesso no carnaval de 1971, e "Ilu Ayê", samba-enredo da Portela (de autoria de Norival Reis e Silvestre Davi da Silva). Na capa do álbum, a cantora mineira fez um permanente nos cabelos pintados de vermelho e passou a partir daí a se vestir com roupas que remetiam às religiões afro-brasileiras.




Em 1972, Clara se firmou como cantora de samba com o lançamento do álbum "Clara Clarice Clara". Com arranjos e orquestrações do maestro Lindolfo Gaya e com músicos como o violonista Jorge da Portela e Carlinhos do Cavaco, o disco teve como grandes destaques as canções "Seca do Nordeste" (um samba-enredo da escola de samba Tupi de Brás de Pina), "Morena do Mar" (de Dorival Caymmi), "Vendedor de Caranguejo" (de Gordurinha), "Tributo aos Orixás" (de Mauro Duarte, Noca e Rubem Tavares) e a faixa-título "Clara Clarice Clara" (de Caetano Veloso e Capinam. Ainda naquele ano, Clara Nunes se apresentou no "Festival de Música de Juiz de Fora" e gravou um compacto simples da música "Tristeza, Pé no Chão" (de Armando Fernandes), que vendeu mais de 100 mil cópias.


A Odeon lançou em 1973 o disco "Clara Nunes". Naquele mesmo ano, a cantora estreou com Vinicius de Moraes e Toquinho o show "O poeta, a moça e o violão" no Teatro Castro Alves, em Salvador. Também em 1973, Clara foi convidada pela Rádio e Televisão Portuguesa para fazer uma temporada em Lisboa. Depois, percorreu alguns outros países da Europa, como a Suécia, onde gravou um especial ao lado da Orquestra Sinfônica de Estocolmo para a TV local.

Sucesso comercial








Clara Nunes integrou a comissão que representou o Brasil no "Festival do Midem", em Cannes, em 1974. Por lá, a Odeon somente para o público europeu o disco "Brasília", que foi base para o LP "Alvorecer". Este álbum emplacou grandes sucessos como "Contos de Areia" (de Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento), "Menino Deus" (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) e "Meu Sapato Já Furou" (de Mauro Duarte e Elton Medeiros). O LP bateu recorde de vendagem para cantoras brasileiras, com mais de 300 mil cópias vendidas, um feito nunca antes registrado no Brasil. Ainda em 1974, a cantora atuou (ao lado de Paulo Gracindo), em "Brasileiro Profissão Esperança", espetáculo de Paulo Pontes, referente à vida da cantora e compositora Dolores Duran e do compositor e jornalista Antônio Maria. O show ficou em cartaz no Canecão até 1975 e gerou o disco homônimo.




Também em 1975, a Odeon lançaria ainda o LP "Claridade". Com grandes sucessos como "O Mar Serenou" (de Candeia) e "Juízo Final" (de autoria de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares), este álbum se tornou o maior sucesso da carreira da cantora, batendo o recorde de vendagem feminina e alavancando o samba-enredo da Portela na avenida, "Macunaíma, Herói da Nossa Gente" (de autoria de Norival Reis e Davi Antônio Correia), com o qual a escola classificou-se em 5º lugar no Grupo 1. Ainda naquele ano, Clara se casou com o poeta, compositor e produtor Paulo César Pinheiro e percorreu vários países da Europa em turnê.


Clara Nunes gravou o LP "Canto das Três Raças" em 1976. Além da faixa-título (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), grande sucesso na carreira da cantora, o disco contava ainda com "Lama" (de Mauro Duarte), "Tenha Paciência" (de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Riso e Lágrimas" (de Nelson Cavaquinho, Rubens Brandão e José Ribeiro), "Fuzuê" (de Romildo e Toninho) e "Retrato Falado" (de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro).







Em 1977, a Odeon lançou o disco "As Forças da Natureza", um álbum mais dedicado ao partido alto. O LP teve como principais destaques a faixa-título (de João Nogueira e Paulo César Pinheiro), "Coração Leviano" (de Paulinho da Viola e "Coisa da Antiga" (de Wilson Moreira e Nei Lopes). O disco ainda contou com a participação de Clementina de Jesus na faixa "PCJ-Partido da Clementina de Jesus" (de Candeia) e lançou "À Flor da Pele", primeira composição de Clara (feita em parceria com Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro).






Em 1978, foram lançados os álbuns "Guerreira", no qual Clara interpretou vários ritmos brasileiros além do samba - sua marca registrada -, e "Esperança", com destaque para a faixa "Feira de Mangaio" (de Sivuca e Glorinha Gadelha). Ainda naquele ano, participou do LP "Vida boêmia", de João Nogueira, no qual interpretou "Bela Cigana" (de João Nogueira e Ivor Lancellotti), e esteve - ao lado de Chico Buarque, Maria Bethânia e outros artistas - no show do Riocentro, que marcaria a história política brasileira devido à explosão de uma bomba.






Em 1979, Clara participou do LP "Clementina", de Clementina de Jesus. Naquele mesmo ano, a cantora mineira se submetia a uma histerectomia (remoção do útero), após sofrer três abortos espontâneos. Por nutrir obsessão pela maternidade, a impossibilidade de ser mãe causou a Clara Nunes fortes abalos emocionais, superados pela entrega absoluta à carreira artística.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Premonição

Nas festas de Natal e ano-novo de 1982 meses antes de ser internada na clínica São Vicente, na zona sul carioca, para uma cirurgia de retirada de varizes, a cantora Clara Nunes disse a seu marido, o compositor Paulo César Pinheiro: "Pois é, nunca mais vou ver isso aqui." Ela se referia à terra onde nascera, Caetanópolis, em Minas Gerais, e que visitava todo fim de ano para rever os parentes. Intuitiva e mediúnica, Clara Nunes era o sincretismo em pessoa: católica, kardecista e umbandista.

Sentia as energias espirituais no ambiente onde estivesse, como pressentiu o fim próximo. Ela se valia das religiões para lidar com a fragilidade emocional, embora tivesse incrível capacidade de auto-superação. Esse perfil multifacetado às vezes contraditório, é descrito no livro "Clara Nunes - Guerreira da Utopia" (Ediouro, 320 págs.), do jornalista Vagner Fernandes, que dedica dois capítulos à internação de Clara e à sua polêmica morte, em 2 de abril de 1983, 28 dias após a operação mal sucedida.



Fernandes foi o primeiro a fazer, em quase 25 anos após a morte dela, uma entrevista longa com o angiologista Antonio Vieira de Mello, que operou Clara Nunes e que a pedido do biógrafo solicitou o desarquivamento da sindicância do Conselho Regional de Medicina do Rio sobre a morte da cantora. "Surgiram várias especulações sobre a internação da Clara, desde aborto e inseminação artificial até surra dada pelo Paulo César Pinheiro" diz Fernandes. "Ela morreu porque teve um choque anafilático, reação alérgica a uma substância que até hoje não se sabe qual é", continua.

Não poderia ser inseminação artificial, porque Clara se submetera em 1979 a uma histerectomia (remoção do útero), após três abortos espontâneos. Por nutrir obsessão pela maternidade, a impossibilidade de ser mãe causou a Clara Nunes fortes abalos emocionais, superados por uma postura mais ativa na defesa da música nacional e pela entrega absoluta à carreira artística, que chegou ao auge nos anos 1970, quando se envolve com o samba e se torna a primeira cantora brasileira a vender mais de 100 mil cópias. Quebrava-se o tabu segundo o qual mulheres não vendem disco.

"Clara teve muitos dissabores na vida, e é função do biógrafo abordar as zonas obscuras da vida do personagem", explica Fernandes. Nascida em 12 de agosto de 1942, Clara Francisca Gonçalves era órfã de pai e mãe já aos 6 anos. Aos 15, deixa Caetanópolis, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, para morar na capital mineira. Estava acuada pelo assassinato de um namorado, cometido em 1957 por seu irmão, José Pereira Gonçalves.

Na capital, continua a ser tecelã, profissão logo dispensada, pois Clara já se arriscava como crooner na noite belo-horizontina. Nessa época, ela conhece o playboy Aurino Araújo, que em 1965 se muda com ela para o Rio. A Jovem Guarda tinha estourado e a cantora mineira flerta com ela, mas sem sucesso. Clara Nunes teve dificuldade de firmar uma identidade musical. No início da carreira, a Odeon, gravadora que lançou todos os seus trabalhos, insistia que ela interpretasse músicas românticas. Em vão. Nem a febre dos festivais de canções acertou Clara em cheio.



A virada romperia no início dos anos 1970 com o produtor e radialista Adelzon Alves (foto), cujo programa tocava composições de sambistas. Seria o início da parceria profissional e amorosa que define Clara como a intérprete que resgata o visual e a sonoridade afro-brasileiros. "Desde Carmen Miranda, não surgia uma cantora com esse perfil", diz Fernandes. Quando lança o LP Clara Nunes, em 1971, a mineira faz permanente nos cabelos pintados de vermelho e passa a vestir roupas que remetem às religiões afro-brasileiras. Estava criado o mito.

Mas ela não podia ser apenas uma sambista ou "cantora de macumba". Segundo o autor da biografia, Clara teria o repertório musical ampliado pelo marido, Paulo César Pinheiro, a partir de 1975. Com o compositor, a mineira - filha de Ogum com Iansã - exploraria sua potência vocal e se consagraria como uma das maiores cantoras da música popular brasileira.

Creditos: Bem Parana

clara nunes - portela na avenida


Show em Portugal.

meu sapato - clara nunes

AI QUEM ME DERA - CLARA NUNES

Clara Nunes

Na Linha do Mar




Clara Nunes - Abrigo



Clara Nunes - "A flor da pele"



Fado Tropical # Clara Nunes canta Chico


Clara Nunes - Menino Deus


JUÍZO FINAL - Clara Nunes

FORÇAS DA NATUREZA


Minha Missão - Clara Nunes

CLARA NUNES - O CANTO DAS TRES RAÇAS


varios videos de Clara

Clara Nunes no Japão - Fuzuê



Clara Nunes - Conto De Areia



Clara Nunes e Nosso samba - A Deusa dos Orixás



CLARA NUNES-JOGO DE ANGOLA



Tristeza, pé no chão - Clara Nunes

Clara Nunes - "Nação" (Fantástico, 1982)

Ultimo disco


DISCOGRAFIA



* 1966 - A Voz Adorável de Clara Nunes (Odeon) 4.127 cópias vendidas
* 1968 - Você Passa e Eu Acho Graça (Odeon) 7.542 cópias vendidas
* 1969 - A Beleza Que Canta (Odeon) 5.856 cópias vendidas
* 1971 - Clara Nunes (Álbum) (Odeon) 158.710 cópias vendidas
* 1972 - Clara Clarice Clara (Odeon) 164.542 cópias vendidas
* 1973 - Clara Nunes (Álbum de 1973) (Odeon) 250.120 cópias vendidas
* 1974 - Brasileiro Profissão Esperança (Odeon) 219.010 cópias vendidas
* 1974 - Alvorecer (Odeon) 784.028 cópias vendidas
* 1975 - Claridade (Odeon) 1.125.410 cópias vendidas
* 1976 - Canto das Três Raças (EMI-Odeon) 1.285.058 cópias vendidas
* 1977 - As Forças da Natureza (EMI-Odeon) 809.047 cópias vendidas
* 1978 - Guerreira (EMI-Odeon) 1.011.005 cópias vendidas
* 1979 - Esperança (Álbum) (EMI-Odeon) 900.485 cópias vendidas
* 1980 - Brasil Mestiço (EMI-Odeon) 2.002.450 cópias vendidas
* 1981 - Clara (EMI-Odeon) 811.587 cópias vendidas
* 1982 - Nação (EMI-Odeon) 1.254.998 cópias vendidas




Ao Vivo

* 2008 - Poeta, Moça e Violão (com Vinícius de Moraes e Toquinho) (Biscoito Fino) CD

[editar] Coletâneas

* 1979 - Sucessos de Ouro (EMI-Odeon) 573.568 cópias vendidas
* 1983 - Clara Morena (EMI-Odeon) 489.656 cópias vendidas
* 1984 - Alvorecer (Som Livre) 501.254 cópias vendidas
* 1984 - A Deusa dos Orixás (Som Livre) 415.074 cópias vendidas
* 1985 - Clara (EMI-Odeon) 480.081 cópias vendidas
* 1989 - O Canto da Guerreira (EMI) 400.456 cópias vendidas
* 1990 - O Canto da Guerreira Vol.2 (EMI) 500.125 cópias vendidas
* 1993 - 10 Anos (Som Livre) 200.425 cópias vendidas
* 2003 - Para Sempre Clara
* 2005 - Clara Nunes Canta Tom e Chico
* 2007 - Mestiça (EMI)
* 2008 - Sempre (Som Livre)





















Tributos

* 1995 - Clara Nunes Com Vida (EMI) - Vários Artistas 205.855 cópias vendidas
* 1999 - Claridade (Globo/Universal) - Alcione
* 2003 - Um Ser de Luz - Uma Saudação a Clara Nunes - Vários Artistas
DVD

* 2008 - Clara Nunes (EMI - Globo Marcas) - Coletânea com todos os videoclipes da cantora exibidos no programa Fantástico - Rede Globo

Após a morte



Em 1986, a Velha Guarda da Portela interpretou "Flor do Interior" (de Manacéa), uma das muitas feita em homenagem à Clara Nunes, no disco "Doce Recordação" - produzido por Katsunori Tanaka e lançado no Japão. Outro compositor, Aluízio Machado (da Império Serrano), também compôs a música "Clara" em homenagem à cantora. Em 1988, Maria Gonçalves (irmã mais velha de Clara Nunes, que passou a criar a cantora quando esta tinha apenas quatro anos) reuniu várias peças do vestuário, adereços e objetos pessoais da cantora, e criou uma sala que abriga o acervo de sua obra em um espaço físico com cerca de 120 metros, anexado à creche que leva o seu nome em Caetanópolis.

Em 1989, a gravadora EMI-Odeon produziu a coletânea "Clara Nunes, O Canto da Guerreira".[5]. Também naquele ano, o selo WEA lançou para o mercado estadunidense o álbum "O Samba: Brazil Classics 2", com vários artistas e incluindo Clara Nunes.

Três anos depois, a EMI-Odeon lançou "Série 2 em 1", compilação em CD de dois LPs: "Brasil Mestiço" e "Nação", e a gravadora norte-americana World Pacific lançou "Best of Clara Nunes" no mercado dos Estados Unidos. Em 1993, o selo Som Livre lançou "Clara Nunes - 10 anos" - em lembrança ao décimo aniversário de morte da cantora - e a EMI-Odeon lançou pela "Série 2 em 1" os discos "Adoniran Barbosa" e "Adoniram Barbosa e Convidados", este último também contou com a participação de Clara Nunes. Esta mesma gravadora lançaria em 1994 as coletâneas "O Canto da Guerreira", "O Canto da Guerreira Volume 2" e "Meus Momentos". Também naquele ano, a gravadora Saci lançou o álbum "Homenagem a Mauro Duarte", que contou com a voz de Clara Nunes, uma de suas maiores amigas e a sua principal intérprete.



Em 1995, a Odeon lançou "Clara Nunes com Vida", álbum produzido por Paulo César Pinheiro e José Milton, no qual foram acrescidas as vozes de outros artistas - Emílio Santiago, Martinho da Vila, Chico Buarque, Nana Caymmi, Roberto Ribeiro, João Bosco, Elba Ramalho, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Alcione, Marisa Gata Mansa, Paulinho da Viola, Ângela Maria e João Nogueira - fazendo duetos com Clara Nunes, e "O Talento de Clara Nunes", outra coletânea.

Em No ano seguinte, a EMI-Odeon reeditou a obra completa de Clara Nunes, que incluiam 16 discos com as capas reproduzidas do original, remasterizados no Estúdio Abbey Road, em Londres, considerado o melhor do mundo. Três anos depois, a cantora Alcione gravou "Claridade", uma álbum com os maiores sucessos da carreira da amiga. Em 2001, foi apresentado no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, o musical "Clara Nunes Brasil Mestiço", e no ano seguinte foi lançado o livro "Velhas Histórias, Memórias Futuras" de Eduardo Granja Coutinho, no qual o autor faz várias referências à cantora.

Em comemoração aos seus 60 anos, que seriam completados em 2003, a gravadora DeckDisc lançou "Um Ser de Luz - Saudação à Clara Nunes", álbum produzido por Paulão Sete Cordas e que contou a participação de diversos artistas interpretando parte de seu repertório, como Mônica Salmaso ("Alvorecer"), Élton Medeiros ("Lama"), Rita Ribeiro ("Morena de Angola"), Mar'tnália ("Ijexá"), Fafá de Belém ("Sem Compromisso"), Renato Braz ("Menino Deus" e "Nação"), Falamansa ("Feira de Mangaio"), Monarco e Velha Guarda da Portela ("Peixe com Coco"), Cristina Buarque ("Derramando Lágrimas"), Dona Ivone Lara ("Juízo Final"), Nilze Carvalho ("A Deusa dos Orixás"), Teresa Cristina ("As Forças da Natureza"), Pedro Miranda ("Candongueiro"), Alfredo Del Penho ("Coisa da antiga"), Wilson Moreira ("O Mar Serenou"), Helen Calaça ("Basta um Dia") e ainda participações de Seu Jorge, Walter Alfaiate e Elza Soares, entre outros.



Em 2004, a Prefeitura de Caetanópolis inaugurou o Instituto Clara Nunes (anexo à Creche Clara Nunes), ambos coordenados pela irmã de Clara, Maria Gonçalves e lançou a idéia de se criar o "Museu Clara Nunes", em memória de sua filha mais ilustre da cidade. O museu será no antigo cinema Clube Cedrense, que pertencia à fábrica têxtil Cedro-Cachoeira, no qual a cantora se apresentou pela primeira vez. Também naquele ano, a EMI lançou uma caixa em nove CDs reunindo os 16 LPs solos de Clara Nunes, raridades e participações da cantora em discos alheios e tributos e ainda a reedição dos primeiros discos da cantora, fase na qual interpretava versões de canções italianas, francesas e boleros românticos.

No ano seguinte, a mesma gravadora lançou "Clara Nunes canta Tom e Chico", coletânea na qual compilou algumas gravações de discos anteriores da cantora, entre elas "Apesar de Você", "Umas e Outras", "Desencontro", "Morena de Angola" e "Novo Amor" (todas de Chico Buarque, "Insensatez" e "A Felicidade" (de Tom Jobim e Vinícius de Moraes), além de "Sabiá" (da dupla Tom e Chico).

Em 2006 foi encontrada mais uma interpretação inédita de Clara Nunes. A composição "Quem Me Dera" (de Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho) foi incluída no álbum póstumo de Maurício Tapajós, "Sobras Repletas", que também trouxe uma outra composição, também em sua homenagem, desta vez feita em sua homenagem, "Surdina" (de Maurício Tapajós e Cacaso). Em 2007, o jornalista Vagner Fernandes lançou a biografia "Clara Nunes - Guerreira da Utopia", que trouxe entrevistas com vários compositores e intérpretes, entre os quais Chico Buarque, Paulinho da Viola, Alcione, Hermínio Bello de Carvalho, Hélio Delmiro, Milton Nascimento, Monarco e Paulo César Pinheiro, além de familiares e amigos.

Intimidades

















"- Sou muito supersticiosa. Não visto preto, não deixo porta de armário aberta, não coloco sapatos em cima do armário e só canto de branco. É uma cor que transmite paz, coisa boa para o público. Dá uma aura legal. Sou também muito mística. Para começar na minha religião, quando a gente faz a cabeça, assume certas obrigações e deve cumprí-las. Eu sigo tudo à risca. Mesmo as coisas que eu adoro, eu deixo de fazer. Comer doce de abóbora, por exemplo. É comida do meu santo. Eu não posso comer. Não como. Eu sou assim com as minhas manias e a minha vontade de enfrentar e vencer. Não tenho medo de morrer e muito menos de envelhecer. Quero ficar uma velha da pesada. Rosto corado de "rouge", participando de tudo, com batom e muitas pulseiras.
-Sinto Deus no momento de cantar. Antes de entrar em cena, tenho um friozinho na barriga. Convoco todos os santos, mas depois vem aquele prazer de ver a reação estampada no rosto das pessoas. Cantar prá mim é como respirar, eu não saberia viver sem isso. "

















"-Eu sou uma cantora popular que canto as músicas do meu país. Tudo o que for autêntico, eu estou aí. Samba-canção, samba, modinha, valsa, não existe nada que eu não goste. Sou meio bobona com a Música Popular Brasileira, com os compositores. Gosto de tantos... É uma gente maravilhosa que sabe dizer música e letra ao mesmo tempo, de tal maneira que prende a gente a noite inteira, só cantando, só escutando."

"- Desde os 13 anos sou independente financeiramente. De pai, mãe, irmão. Batalho pelas minhas coisas. Não tenho medo de nada. Sou filha de Amélia, neta de Emília, duas mulheres de verdade. Eu sou mulher. Eu sou tudo muito. Adoro me ver com roupas bonitas, me cobrir de ouros. Isso é coisa de mulher. Mulher tem que ser assim. Sou feminista apenas pela emancipação da mulher. Mas pelo amor de Deus, a feminilidade vamos manter. A gente tem que caminhar junto com o homem. Ser companheira. Ser igual. Enquanto depender financeiramente do homem, enquanto pedir dinheiro para alguma coisa não vai conseguir nada." "

O Teatro Clara Nunes



Muita gente não lembra, mas Clara atuou nos palcos cariocas, cativando com sua simplicidade e carisma, milhares de pessoas. Em 1972 apresentou no Teatro Glauce Rocha o show Sabiá Sabiô, com texto de Hermínio Bello de Carvalho. Participou do espetáculo O Poeta, A Moça e o Violão, com Vinícius de Moraes e Toquinho, e da peça Brasileiro, Profissão Esperança, junto com Paulo Gracindo, quando cantou a vida de Dolores Duran e Antonio Maria, sob a direção de Bibi Ferreira e Paulo Pontes.

Clara Nunes foi a primeira cantora que conseguiu ter seu teatro, graças ao próprio sucesso. Ele foi inaugurado em maio de 1977, no Shopping da Gávea, no Rio, com o espetáculo Canto das 3 Raças. Este foi o primeiro show que ela fez sozinha, era dirigido por Arlindo Rodrigues, com texto e produção do poeta e compositor Paulo Cesar Pinheiro, seu marido desde 1975.

Depois de cinco meses o espetáculo foi encerrado, porque Clara tinha assumido compromisso de viajar pelo país com o show Sabor bem Brasil, junto com Luiz Gonzaga, João Bosco, Valdir Azevedo e outros. Só voltou ao palco de seu teatro em 1981 quando apresentou Clara Mestiça.


"-Abri esse teatro por vários motivos, mas o que eu acho da maior importância é que abri mais uma casa de espetáculos no Rio. Sei da importância disso, pois já senti na pele a dificuldade que se tem de fazer um show, ficar esperando meses e meses por um teatro. Acho que estou retribuindo ao público o que ele me deu durante toda a minha carreira. Eu poderia pegar este dinheiro e comprar uma casa em Cannes, ou então comprar um iate, enfim, gastar o dinheiro particularmente, mas eu quis consolidar uma coisa pensando nos outros também."


O Teatro Clara Nunes, um dos bons espaços culturais da cidade do Rio de Janeiro, continua funcionando tanto para espetáculos musicais como teatrais e ainda pertence a seus dois sócios.

A Carreira



Em 1960, cantando "Serenata de Adeus", de Vinícius de Moraes, venceu a etapa mineira do concurso A Voz de Ouro ABC, mas ficou em terceiro lugar na finalíssima que foi em São Paulo. Logo foi contratada pela Rádio Inconfidência de Belo Horizonte. Também foi crooner de boates e escolhida durante três anos seguidos, a melhor cantora de Minas Gerais.

Clara foi a primeira cantora a ter um programa só seu - Clara Nunes Apresenta, com duração de 1 hora na TV Itacolomi.

-Eu contratava quem eu queria - afirmou numa entrevista. Viajava muito. Era uma espécie de ídolo em Minas. Naquela época a televisão tinha vida local, ajudava a revelar muita gente. Esse trabalho me deu muita base para enfrentar o Rio. Não vim no desespero. Pude esperar com calma até gravar meu primeiro elepê.

Chegou ao Rio em 1965 e antes de aderir ao samba, cantou muito bolero. Percorria rádios, programas de auditório, clubes, escolas de samba e casas noturnas de subúrbios.

Seu primeiro LP A Voz Adorável de Clara Nunes, foi lançado em 1966 pela Odeon, a única gravadora de sua carreira e produzido por Adelzon Alves. Depois vieram mais dezesseis discos até 1982. De acordo com dados da gravadora, o LP Claridade, lançado em 1975, bateu o recorde vendendo 401 mil cópias.

Clara gravou "Alvorecer" de D.Ivone Lara, "O mar serenou" de Candeia, "Quando eu vim de Minas" de Xangô da Mangueira, "Alvorada no Morro" de Cartola. Mas não parou por aí, cantou também outros gêneros, "É Doce Morrer no Mar" de Caymmi, "Feira de Mangaio" de Glorinha Gadelha e Sivuca, "Coisa da Antiga" e "Candongueiro" de Wilson Moreira e Ney Lopes, "Morena de Angola", grande sucesso de Chico Buarque, além de "Nação" de João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, seu canto derradeiro.

Clara também compunha músicas, sua estréia foi em 1977 com A Flor da Pele, ao lado de Maurício Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro, que fez parte do elepê As Forças da Natureza. Ela pesquisou a música popular brasileira, os ritmos e o folclore, foi à África, aprendeu danças e tradições afro-brasileiras, descobriu o samba forte através da Portela e se converteu ao Candomblé.

Fez sucesso na América Latina, Espanha, Portugal, Israel, Alemanha, Japão, mas era com Angola que ela se identificava. Para ela, os três maiores estadistas do Terceiro Mundo eram Agostinho Neto- poeta e líder revolucionário angolano, Fidel Castro e Juscelino Kubitschek. Clara nunca escondeu sua origem simples, sua coragem para lutar e enfrentar a vida, sua segurança e clareza de idéias.

A Infância


Clara nasceu em Caetanópolis, a 3 quilômetros de Paraopeba, oeste de Minas Gerais, onde viveu até os quatorze anos. Filha do violeiro Mané Serrador, cantador de Folia de Reis, de quem herdou o gosto pela música e uma alegria imensa de viver. Era a caçula entre sete irmãos. Participou das aulas de catecismo na matriz, da Cruzada Eucarística, cantou ladainhas em latim, no coro da igreja, aprendeu a tecer fios.


"- Meu pai era um homem bonito prá burro. Um metro e noventa de altura. Gostava de festas, Folia de Reis. Vestia-se de Rei e a casa se enchia de vida, com sua viola caipira. Morreu quando eu tinha 8 anos. Nunca mais foi a mesma coisa. Logo depois, morreu mamãe. Um caso típico de morrer de amor. Eu também seria capaz. Meu irmão José, com 18 anos trabalhava para sustentar a gente e a minha irmã Dindinha, assumiu o papel de mãe. A coisa ficou bastante difícil. A gente era pobre. Depois ficou mais difícil. Os mais velhos chegaram até a discutir a possibilidade de dividir a família. Mas eles eram muito fortes e amadurecidos para a idade. Resolveram manter a família unida e sofremos muito, mas juntos."


Clara mudou-se para Belo Horizonte em 1958, onde já moravam Joaquim e Vicentina, seus irmãos. Trabalhava como tecelã de dia, fazia o curso normal de noite e nos finais de semana, participava dos ensaios do Coral Renascença, na igreja do bairro onde morava.


"- Cresci ouvindo Ângela Maria, Carmen Costa, e principalmente Dalva de Oliveira e Elizeth. Acho muito natural ter influência das quatro, mas não imito nenhuma. Tenho a minha voz, a minha maneira de cantar. "

Clara Nunes-Você passa e eu acho graça


guerreira - Clara Nunes

Morena de Angola


Clara Nunes e Sivuca - Feira de Mangaio ( Na Integra )


Clara Nunes - O mar serenou


Clara Nunes - Peixe com Coco


Clara Nunes - Coisa da Antiga


Quando eu vim de Minas