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domingo, 28 de novembro de 2010

A despedida

Na madrugada de 2 de abril de 1983, depois de 28 dias em coma, morria, aos 39 anos, Clara Nunes. No princípio de março, ela se internou na Clínica São Vicente, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, para se submeter a uma simples operação de varizes. Sofreu parada cardíaca e paralisação da atividade cerebral, por falta de oxigenação, vítima de um choque anafilático ou de um erro médico.

Segundo o anestesista que a assistiu na cirurgia, Américo Salgueiro Autran Filho, a cantora preferiu receber anestesia geral à peridural, mais indicada nesses casos, e na qual o anestésico é injetado na espinha dorsal. Ela tinha o corpo fechado por um Pai-de-Santo do Recife, que a proibiu de fazer qualquer incisão nas costas.

A direção da Clíninca São Vicente permitiu que a imprensa visitasse a sala de cirurgia enquanto Clara ainda estava internada, para provar que não houve falha no equipamento durante a cirurgia.

Enquanto a cantora esteve em coma, os jardins da Clínica recebiam diariamente seus fãs, que organizaram emocionantes correntes espirituais, comuns nos terreiros de candomblé.

De acordo com o atestado de óbito, ela morreu de parada cardíaca, em consequência da perda das funções renais...

Seu corpo foi velado na quadra da Escola de Samba Portela - uma de suas paixões - e sepultado no Cemitério São João Batista, em meio a muita emoção dos fãs, cantores e parentes.